Nivaldete Ferreira

Biografia

Nivaldete Ferreira nasceu em Nova Palmeira, Seridó Oriental da Paraíba, em 2 de dezembro de 1950. Filha de José Silvestre de Ferreira Filho e Maria do Carmo Ferreira, estudou em Natal – RN e formou-se em Letras na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, onde é professora do Departamento de Artes.

A poetisa

Seu primeiro livro – Sertania, de 1979 – como o próprio título indica, elege como tema privilegiado o espaço do sertão, onde viveu os primeiros anos. No prefácio, inclusive, Tarcísio Gurgel afirma que ela poderia tornar-se uma “grande palavra poética do sertão” e chama a atenção para a releitura que ela faz da melhor poesia brasileira, principalmente de João Cabral de Melo Neto. São palavras do prefaciador:

Nivaldete Xavier não apenas se envergonha da palavra (palavra mesmo e não a não-palavra) como – à boa maneira cabralista – nos leva de volta ao sertão/sertão, usando com parcimônia as imagens agro-líricas, para falar de coisas até então imersas em sua tragicidade e ignoradas pelos poetas cujo alimento é néctar e não o feijão-com-arroz nosso de cada dia. (p. 18)

Após um longo período de silêncio, cerca de quinze anos, a poetisa lança Trapézio e outros movimentos. Nesse livro, em que se declara fortemente influenciada pela leitura de e. e. cumings e Paul Celan, elege outras temáticas, num flagrante movimento experimental e introspectivo de pensar a palavra poética e seu lugar como produtora de sentidos menos comuns. A respeito desse livro, disse o crítico, poeta e tradutor Foed Castro Chamma (Rio de Janeiro): “Uma queda labiríntica em espelhos que produziria o alucinatório para uma esquizo-análise se não estivesse amparada numa estrutura semiológica que subverte a dialética dos estóicos, sua paixão e Gramática. Na tentativa de aproximação com a filosofia pragmática de William James, diria que a poesia de Nivaldete Ferreira emerge da mesma matematização de Ch. Sanders Peirce em imagem/palavra e seu rigoroso cortejo de signos. Pequenas pedras de toque em ALMÍSCAR e seu jogo de alusões culminam em EROSVERBO, anunciadas já em SIGNOS, deixando entrever em TSEN-MEI E OUTRAS IGNORÂNCIAS a poesia “de um louco que desce pelos dedos”. AMACÂNTICO configura uma poética de invenção que nem em Safo jamais li.”

No prefácio da Profª Drª Ilza Matias (Departamento de Letras-UFRN), construído sob a forma de um diálogo entre autora e prefaciadora, Nivaldete esclarece as diferenças entre os dois livros, discute seu percurso literário e reflete a respeito do seu projeto poético.

Em 1997, a poetisa recebeu uma importante Menção Especial da União Brasileira de Escritores /RJ, pelo conto “Descanso das sílabas” e pelo texto infantil “Psilinha Cosmo de Caramelo”.

Recebeu 1º Lugar no concurso Jesiel Figueredo de Textos Teatrais Inéditos, da Prefeitura Municipal de Natal- 2004, com a peça “No Reino dos Distraídos” (inédito), e Menção Honrosa no Concurso Câmara Cascudo-2005, da mesma Prefeitura, com o romance “Memórias de Bárbara Cabarrús”.

Em 2007, publicou “Entre o Carrossel e a Lei” (teatro), pela Editora da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, com alentado prefácio crítico da Profª Drª Ilza Matias, de que destacamos este trecho: “É uma experiência de construir no possível, como diria Félix Guattari (1992), uma nova poesia, uma nova arte de viver. Ainda com ele, afirmaríamos que a peça e, certamente, o projeto que a torna possível, convoca o “socius” a se re-singularizar, a se trabalhar e re-experimentar. Suscita do mesmo modo uma re-singularização do espaço teatral, reinventando-o como uma espécie de “cidade subjetiva” por onde circulam, ganham existência personagens alegóricas, figuras que também reinventam a humanidade e seus destinos.”

Sobre o romance “Memórias de Bárbara Cabarrús”, disse o jornalista e crítico literário Nelson Patriota (Natal): “Esse conjunto de narrativas quase independentes testemunha o talento criador da autora, que poderia tê-las convertido num livro de contos, seguramente, mas optou pela forma mais rigorosa do romance.

Quanto à diversidade de interesses de que Nivaldete tem dado mostras, isso não indica, necessariamente, indecisão ou indefinição. Pode simplesmente significar que a condição de escritor neste início de século exige ecletismo e abertura para o novo, aí incluídos assuntos e gêneros literários os mais diversos.”

O também jornalista Woden Madruga assim falou do primeiro romance de Nivaldete Ferreira: “De uns tempos pra cá, ando lendo umas maravilhosas escritoras portuguesas: Lídia Jorge, Inês Pedrosa, Augustina Bessa-Luís. Aparece Nivaldete Ferreira, paraibana de Nova Palmeira, nesmas veredas de Zila Mamede (primas), natalense por escolha do coração, com o mesmo jeito e um acento que lembra essas três grandes mulheres lusitanas que vivem entre o Algarve e o Minho. Sua Bárbara Cabarrús enfeitiça o leitor.”

Por sua vez, Maria Teresa H. Fornaciari, escritora paulista, fez uma apreciação da qual é retirado este trecho: “As Memórias de Bárbara Cabarrús, devorei-as. Palavra por palavra, saboreando toda a poesia do que foi contado inteiro ou pelas margens, do que estava ali para arder e sufocar e também para bebericar, ao provar do leite. Em certos trechos, entre-vi o impressionismo das descrições com matizes suaves, como em “minha mãe não era bem uma pessoa, uma mulher, era uma espuma, um perfume, uma preguiça de existir, um branco, o contrário de todas as nódoas que era eu”. Foi encantador o paradoxo sempre enfatizado entre as duas mulheres, na construção dessa heroína doce-ferina, mesmo que sempre se tenha entendido áspera e amarga. A realidade criada nas memórias embaralhadas pelas palavras (Bárbara também era poeta!) foi um espelho premeditadamente baço da sedutora e valente pessoa cheia de riqueza e de quereres.”

Obras publicadas

Sertania. Natal: Ed. Universitária, 1979 (poesia)
Trapézio e outros movimentos. Natal: Fundação José Augusto, Fundação Santa Maria e Cooperativa Cultural Universitária, 1994 (poesia)
Psilinha, Cosmo de Caramelo.Natal: Edufrn, 1998 (literatura infantil).
O Clubindo da Água. CAERN, 2005 (paradidático).
Memórias de Bárbara Cabarrús. Natal: Prefeitura Municipal do Natal, Coleção Letras Natalenses / Fundação Cultural Capitania das Artes, 2008 (romance).
É também autora de Cantando e Aprendendo, CD com músicas para criança, tendo por tema a água.

União Brasileira de Escritores RN – Nave da Palavra


2 comentários:

nivaldete ferreira disse...

Boa surpresa me 'descobrir' aqui. Obrigada. Um abraço.

Nova Palmeira/PB Notícia disse...

O prazer é todo meu em tê-la aqui conosco!
Professor Alex Barros - Administrador do NPN.