terça-feira, 29 de novembro de 2016

Emergência em outro voo pode ter afetado acidente da Chapecoense

Avião que transportava a Chapecoense - Imagem: Reprodução/WEB
O aeroporto de Medelín, na Colômbia, vivia momentos tensos antes mesmo da queda do avião que levava o time da Chapecoense. Pouco antes de o avião com o time brasileiro iniciar a descida, uma aeronave da VivaColombia já havia solicitado prioridade de pouso por conta de perda de combustível. Essa pode ser uma das causas de o avião da companhia Lamia, que levava a delegação do clube brasileiro, ter sido obrigada a fazer um procedimento de esperar antes de iniciar a descida para pouso.


O Airbus A320 da VivaColombia havia decolado de Bogotá na noite de ontem com destino à ilha de San Andrés, no caribe colombiano, à 1h20 UTC. No entanto, cerca de 50 minutos depois, às 21h10, o avião fez uma curva de 180 graus. Ao iniciar a rota contrária, o avião começou imediatamente a descer em direção ao aeroporto de Medelín.

O avião da VivaColombia iniciou a aproximação final para pouso às 21h44 e tocou o solo de Medelín às 21h52, de acordo com informações de site FlighRadar24.

O horário do pouso não programado pelo avião da VivaColombia coincide exatamente com o momento em que a aeronave que transportava o time da Chapecoense se aproximava do aeroporto de Medelín.

Às 21h42, o avião da Lamia iniciou o procedimento de espera enquanto aguardava autorização do controle de tráfego aéreo para continuar a aproximação ao aeroporto de Medelín. O avião deu duas voltas de 360 graus e desapareceu dos radares às 21h55.
"É certo que houve uma emergência com o avião da VivaColombia, mas essa ocorrência foi atendida antes do primeiro reporte da aeronave que trazia o time de futebol", declarou à BBC o coronel Fredy Bonilla, secretário de segurança da Aeronáutica Civil da Colômbia.

Pane seca

De acordo com o diretor da Aeronáutica Civil da Colômbia, Alfredo Bocanegra, não havia sinal de combustível nos tanques do avião.

Para o engenheiro aeronáutico e professor da Escola Politécnica da USP Jorge Leal Medeiros, no entanto, não é possível afirmar que o avião tenha caído por conta do procedimento de espera na aproximação ao aeroporto de Medelín.

Segundo Medeiros, o avião deve ser abastecido para ter autonomia de voo de pelo menos mais 45 minutos além do programado inicialmente. O Lamia ficou em espera por apenas 13 minutos.

No entanto, segundo informações da fabricante do avião, o avião tinha autonomia para voar 3.000 km, exatamente a mesma distância da rota programada entre Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, e Medelín.

Pane elétrica

Antes de cair, o avião com o time da Chapecoense declarou emergência ao controle de tráfego aéreo alegando problemas elétricos. Para o professor da USP, é possível que o avião tenha alijado combustível por conta dos problemas elétricos.

"Se ele não tivesse condição de baixar o trem de pouso, poderia ter de pousar de barriga (sem o trem de pouso) e ter alijado combustível para evitar um incêndio", afirmou.


Esporte UOL

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