sábado, 9 de abril de 2016

Os 50 anos do paraibano Mazinho, o eficiente coringa que marcou Vasco e o tetra da Seleção Brasileira


As torcidas de Vasco e Palmeiras bem se lembram do jogador voluntarioso e incansável que aplaudiam entre os anos 1980 e 1990. Com a camisa de ambos os clubes, Mazinho viveu os seus melhores momentos no futebol brasileiro. A partir deles, se tornou um nome primordial na seleção brasileira. Podia não ser um intocável nas escalações entre 1988 e 1994, mas surgia com grande utilidade. O lateral esquerdo elogiado também jogou na direita, na meia, na cabeça de área. Versatilidade, fôlego e eficiência no trato com a bola que o mantinham como um nome constante na equipe nacional. Conquistou a prata olímpica em 1988, a Copa América em 1989 e o Mundial de 1994. Escreveu o seu nome na história e merece as lembranças nesta sexta, quando completa 50 anos.

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Mazinho nasceu na Paraíba e, antes de completar 17 anos, chegou ao Rio de Janeiro de ônibus para tentar sua sorte. O menino que ouvia os gols de Roberto Dinamite no rádio desembarcou para um teste com os cruz-maltinos. Ficou. Passou um carnaval inteiro sozinho em São Januário, sentindo saudades da família, mas insistindo no sonho. Três anos depois, ganhou uma chance na equipe profissional, podendo atuar ao lado do ídolo no meio de campo vascaíno. Todavia, deslocado para a lateral é que passou a viver seus melhores anos. Conquistou dois Cariocas e um Brasileiro, faturou três Bolas de Prata. Chegou à Seleção. Se a potência física era o seu principal traço, também se destacava pela serenidade de seu jogo e pelo auxílio no apoio.

Mazinho estava no time histórico dos Jogos Olímpicos de 1988, ao lado de Taffarel, Romário, Jorginho, Ricardo Gomes, Valdo, Bebeto e outros craques. O sucesso o levou à equipe principal, disputando a Copa América de 1989. E sua versatilidade começava a se evidenciar naquele momento. Com a lesão de Jorginho, acabou deslocado à lateral direita, graças ao talento com as duas pernas. Ajudou a conquistar o título. Também esteve no Mundial de 1990, quando ficou na reserva de Branco. E a ascensão o levou ao Lecce, nos anos áureos do futebol italiano.

Em sua primeira temporada na Serie A, Mazinho arrebentou. Apesar do rebaixamento, foi um dos destaques do time, a ponto de se transferir à Fiorentina. A temporada com a Viola não repetiu a qualidade e, em tempos endinheirados da Parmalat, o paraibano voltou ao Brasil para defender o Palmeiras. Virou uma das peças-chave no esquema de Vanderlei Luxemburgo, na conquista do marcante bicampeonato paulista em 1993 e 1994, além do Brasileiro de 1993. Com o surgimento de Roberto Carlos, muitas vezes atuava no meio de campo. E a função serviu de trunfo na Copa de 1994. Virou homem de confiança de Parreira no lugar de Raí, o coadjuvante que permitia as subidas dos laterais, assim como limpava os trilhos para Romário e Bebeto. Terminou o Mundial com a taça nas mãos.

O sucesso nos Estados Unidos levou Mazinho à Espanha, contratado pelo Valencia. Disputou duas temporadas no Mestalla, antes de viver seu ápice no país com o Celta de Vigo. A falta de títulos não foi um problema no clube modesto, que protagonizava grandes campanhas. Tendo o paraibano entre as suas referências, o “EuroCelta” passou a ser participante costumeiro da Copa da Uefa. A passagem do meio-campista pela equipe galega durou até 2000. Em declínio, ainda defendeu o Elche e vestiu a camisa do Vitória, antes de pendurar as chuteiras aos 35 anos. Mas não sem se desligar do futebol: tecnicamente, Thiago Alcântara e Rafinha talvez tenham se aprimorado mais do que o pai – que, embora não demonstrasse tanto pela função, tinha muita qualidade especialmente nos domínios e nos dribles em progressão. Ainda assim, os filhos têm muito chão para conseguirem ir além do seu currículo e de sua importância no futebol.


Imagem: Vasco em Foco 
Trivela/UOL

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