segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Cisternas 'salvam' escolas do semiárido e afastam risco de fechamento, na PB


Escolas de comunidades rurais do semiárido paraibano estão sendo preparadas para conviver com a seca e a escassez de água. Elas estão recebendo cisternas que acumulam até 52 mil litros do produto. Os reservatórios devem abastecer a comunidade escolar e afastar a ameaça de fechamento das unidades por conta falta de água para alimentar as crianças.


Os benefícios trazidos com a implantação das cisternas destinam-se não só aos alunos, professores e funcionários das unidades de ensino. Os reservatórios vão disponibilizar água também para abastecer as famílias que moram na comunidade.

Na Paraíba, pelo menos 19 escolas já estão com as cisternas em fase final de instalação. Algumas estão faltando apenas a tubulação para que sejam utilizadas.

A instalação das cisternas faz parte de uma parceria entre o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate a Fome (MDS) e a Associação Programa 1 Milhão de Cisternas para o Semiárido (AP1MC). A meta da parceria, conforme o MDS, é instalar cinco mil cisternas escolares em 255 municípios brasileiros.

A previsão para a Paraíba é de que sejam construídas até o ano que vem 775 unidades, beneficiando cerca de 27 mil estudantes paraibanos.

Ameaça afastada

O Grupo Escolar Gustavo Joaquim da Silva fica na comunidade Logradouro, Zona Rural de Fagundes, no Agreste da Paraíba, a 120 quilômetros de João Pessoa. NO local, a expectativa é grande para o momento em a que a água vai estar disponível no reservatório.

A cisterna está construída, esperando apenas a instalação da tubulação para que possa ser abastecida, o que deve acontecer ainda neste segundo semestre letivo.
Funcionários, alunos, professores e até os pais esperam que as cisternas afastem de vez o sofrimento de ver escolas ameaçadas de fechamento por conta da falta d'água, como acontece sempre nos períodos mais críticos de seca.

A secretária de Educação de Fagundes, Cristina Gonçalves, informou ao Portal Correio que as cisternas não trouxeram só a oferta de água, mas também conscientização sobre o uso racional.

"Tivemos a visita de técnicos que fizeram um trabalho de conscientização e informação sobre como a comunidade escolar e toda a população rural devem proceder em relação ao uso da água que iremos dispor", disse.

Em um primeiro momento, são seis escolas beneficiadas com a implantação das cisternas em Fagundes, mas a perspectiva é de que, até 2016, os reservatórios sejam construídos em 15 das 33 unidades de ensino do Município que estão localizadas na Zona Rural.

Cristina disse que a metade dos cerca de 2,2 mil alunos matriculados na rede municipal de ensino de Fagundes vive e estuda no campo. Ela falou ainda que, antes do programa, as escolas já recebiam o líquido através de carros pipas e algumas já tinham cisternas, mas nenhuma de grande porte como as que estão sendo construídas pela parceria MDS e AP1MC.

"O interessante é a capacidade de armazenamento de água dessas cisternas. Uma vez abastecidas, elas irão garantir água por um período maior e dará mais segurança em relação ao funcionamento dessas escolas", analisou.

Mais qualidade

Outro município beneficiado com o programa de cisterna nas escolas é Paulista, no Sertão, a 410 quilômetros da Capital. Lá, todos as escolas da Zona Rural foram contempladas com a parceria, beneficiando 638 alunos.

A secretária de Educação de Paulista, Denise Vilar, destacou que além da acessibilidade, as comunidades terão água com mais qualidade. Ela disse que antes do programa, as escolas tinham que ser abastecidas com água de poços, pequenos açudes, barragens e cacimbas e o transporte era feito em carroças.

"Em época de escassez, temos que usar baldes e latas para transportar e usar a água para os serviços essenciais nas escolas", contou.

A secretária avaliou o programa das cisternas como importante para a convivência com a seca porque beneficia não só as escolas, mas também toda a comunidade onde ela está localizada.

"Vivemos em um período de estiagem em que não temos boas perspectivas quanto à disponibilidade de água e não só as cisternas como também o trabalho de conscientização irão melhorar e muito a vida de todos que moram nas comunidades beneficiadas", disse.

Abastecimento

As cisternas instaladas nas comunidades rurais serão abastecidas com água fornecidas pelos caminhões pipa do exército. A capacidade de armazenamento de cada uma delas é de 52 mil litros. O produto poderá abastecer as escolas por até oito meses.

De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Social, a seleção e cadastramento das escolas beneficiadas com as cisternas é realizado por entidades contratadas pela Associação Programa 1 Milhão de Cisternas para o Semiárido (AP1MC) e credenciadas pelo MDS.

Todo o processo conta com a participação de entidades representativas das comunidades, secretarias municipais de Educação, Conselhos Municipais e lideranças comunitárias. O MDS informou ainda que a lista de escolas localizadas em municípios que sofrem com o problema da escassez de água, baseada no censo escolar, também é levada em conta durante a seleção.


Imagem: MDS/Rita Tavares

Portal Correio

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